"Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. I Co 15.57"

QUARESMA: Esperança dos que em Deus confiam!

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus: Esperança! 
Nunca uma palavra foi tão lembrada nos últimos tempos como esta! Diante de uma forte crise em todos os sentidos, financeira, econômica, política, social, educacional, e na área da saúde..., as pessoas trazem consigo a esperança de que tudo vá melhorar. Isaías é um texto que traz consigo uma alta concentração de esperança! Deus faz uma descrição daquilo que fará a favor daqueles que nele confiarem!
A primeira coisa que Deus promete é a sua justiça: “os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos.” (Is 42.15) A esperança daqueles que confiam em Deus passa pela sua justiça. O profeta Isaías destaca a justiça divina agindo em favor de seus filhos. Embora o Senhor se mantenha em silêncio por algum tempo, nada pode impedir que cumpra sua promessa de abrir o caminho do perdão à humanidade caída em pecado. Confiamos em dias melhores para nosso país. Confiamos que Deus irá conduzir as coisas resultando no melhor para o seu povo. Talvez não seja “o melhor” aos olhos das pessoas, mas do seu ponto de vista confiamos que em sua providência Ele faça tudo pelo melhor.
A segunda coisa que Deus promete é guiar os cegos: “Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei.” (Is 42.16) Quem são os cegos? Neste texto é Israel, porém, cegos na verdade somos todos nós! A humanidade pecadora é cega, e precisa ser guiada. Por isso, o Senhor remove, retira os obstáculos da frente. Deus torna trevas em luz, torna os caminhos pedregosos em planos. Os caminhos e veredas desconhecidas nos levam a nos perguntar: Que caminho é esse? É o caminho da salvação! Apesar de conhecerem a promessa, este caminho era desconhecido do povo. Suas interpretações a respeito deste caminho eram equivocadas. Esperavam um rei terreno, que empunhasse a espada, mas na verdade, teriam diante de si o Rei dos reis, que ultrapassava o âmbito humano, físico, e atingia o aspecto espiritual. Eis aqui a esperança necessária! Ao trilhar caminhos desconhecidos é necessário se deixar guiar. A maioria das pessoas hoje estão perdendo a esperança porque não se deixam guiar! Apoiados em seus próprios esforços, desejos, expectativas, acabam adotando uma postura de autossuficiência onde não se permitem deixar guiar! Sigamos perseverantes na esperança deste Deus que nos guia diante da cegueira do pecado. Que em mais uma quaresma possamos viver tempos de esperança, não baseados no que fizemos ou pensamos, mas firmados na obra de Cristo realizada em nosso favor. Amém.                                  

Com carinho, Pastor Valdir.

QUARESMA: A redenção que nos foi dada!

Redenção. Você sabe o que esta palavra significa? Redenção significa libertação, palavra esta que resumia bem a situação do povo de Deus após sair do Egito. Antes escravos, agora livres, o povo caminhava rumo a terra prometida. No entanto, a liberdade que Deus lhes tinha dado, parece que ficara na poeira da estrada. As dificuldades enfrentadas os faziam esquecer do cuidado que Deus lhes dava. Como uma criança que não se contenta com o brinquedo que ganhou e ainda quer mais, assim o povo de Israel estava agindo: “Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” (Ex 17.3).
Que atitude infantil! Israel esquecera a promessa de Deus feita antes, quando havia prometido sustenta-los ao longo da jornada (Ex 16.4). Israel em sua rebeldia, além de não pedir a sua ajuda, passou a ignorar a sua providência. Ora, nada muito diferente do ser humano atual! Quando surgem os obstáculos, tentamos resolvê-los a nossa maneira, do nosso jeito. Quando não conseguimos nos decepcionamos e acabamos esquecendo de pedir a Deus que nos ajude na solução do problema. É mais fácil reclamar, vociferar, do que entregar a Ele nossas necessidades. Lembremos sempre de que Deus tem três respostas a nos dar: sim, não e espere! Sem dúvida, as duas últimas respostas são difíceis de aceitar. No entanto, Deus não deixou seu povo sem solução. Ordenou a Moisés, e o problema foi resolvido: “...ferirás a rocha, e dela sairá água, e o povo beberá. ” (Ex 17.6)
O Deus que redimira seu povo libertando-o da escravidão no Egito, viria a coroar sua atitude amorosa ao prover a redenção total do ser humano da escravidão do pecado.
A Redenção nos foi dada! Eis o grande presente que recebemos e diante do qual não podemos agir de forma infantil ou orgulhosa. Deus já nos salvou, já nos redimiu em seu Filho Jesus Cristo, como declara um dos pais apostólicos Ambrósio de Alexandria: “Para eles a água fluiu da rocha, para você o sangue fluiu de Cristo; a água os satisfez por um tempo, o sangue sacia você para a eternidade... Você, depois de beber, estará além do poder da sede; aquilo foi numa sombra, isso é em verdade”
Que em mais um tempo quaresmal, a rocha eterna, que é Cristo, siga abastecendo nossas vidas para a eternidade. Creiamos na redenção que nos foi dada. Amém.

Com carinho, Pastor Valdir.

QUARESMA: Amor que nos constrange!

A palavra amor é desafiadora. De tal maneira que o próprio Jesus ao falar sobre ela, destaca aspectos que para o ser humano são difíceis de vivenciar. Por exemplo, quando o Salvador fala em amar os inimigos! Esta maneira de vivenciar os relacionamentos, mesmo em relação aos desafetos é perturbadora, porque tira o ser humano de sua zona de conforto. Vamos meditar um pouco hoje sobre como Deus se utiliza da palavra amor! Em Gênesis 12.1-3 encontramos o relato do chamado de Deus a Abrão! Ali, na promessa que fez, Deus deixou transparecer seu amor: “...de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.” A promessa de Deus vem impregnada de amor! Isso mesmo! Deus desafia a Abrão a sair do conforto de sua casa, de suas terras e partir para uma nova vida. Do ponto de vista humano, seria uma loucura abandonar o certo pelo duvidoso, ainda mais aos 75 anos de idade! Porém, Deus não dera “um tiro no escuro”. O desafio proposto a Abrão vinha com argumentos, Deus lhe falara dos benefícios: de ti farei uma grande nação! Nesta promessa de Deus estava presente o seu amor. Deus prometera estar com Abraão em todo o tempo. O amor de Deus é também algo que transparece em nossos dias. Certa vez Jesus declarou: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.” (Lc 12.7) Por causa deste amor, somos constrangidos a permanecer ao lado de Deus. Abrão assim agiu quando chegou a terra prometida: “Apareceu o SENHOR a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7)
O amor de Deus é tão envolvente que constrange o ser humano. Constrange em um duplo sentido: quando o faz refletir sobre sua pecaminosidade e dívida diante do Senhor que o salvou, e também no sentido de pertença, pois, como posso me afastar deste Deus que me ama? Certamente Abrão meditava nestas coisas.  Certamente estava surpreso de que Deus, infinitamente maior do que qualquer ser humano, viesse ao seu encontro propor-lhe uma aliança! Ao receber a proposta nem teve oportunidade para recusar, pois, como poderia ignorar o amor de Deus?
Queridos irmãos e irmãs, o tempo de quaresma é um tempo para lembrarmos do amor de Deus que nos constrange. O amor de Deus que nos leva a lembrar que sim, somos pequenos, mas mesmo sendo tão pequeninos, pertencemos a um Pai que nos amou a ponto de entregar seu Filho Unigênito por nós. Não esqueçamos nunca do que somos e a quem pertencemos, pois o amor que Ele nos dá, supre toda e qualquer falta. Amém.

Com carinho, Pastor Valdir.

QUARESMA: TEMPO DE UNIÃO APESAR DO TRAUMA DO PECADO!

A palavra união é uma palavra bastante significativa. Não estamos aqui falando em termos jurídicos ou sociais, mas do ponto de vista bíblico. No texto de Gênesis 3.1-21, nos deparamos com a queda em pecado. O ato mais catastrófico do ser humano é pintado em letras garrafais, mostrando não somente a queda, mas também as consequências desta queda, as sanções, as medidas tomadas por Deus. Ora, pois apesar do trauma do pecado, a palavra “união” não sucumbiu. Sim, existe união apesar do trauma do pecado! Vamos falar um pouco sobre este trauma tão grande.
Ao falarmos sobre ele, lembramos a maneira como Deus lidou com Adão e Eva. Deus não castigou a Adão logo, mas o atraiu com perguntas: Onde estás? Deus sabia onde ele estava, mas era necessário trazê-lo para perto. Adão e Eva estavam experimentando pela primeira vez o que significava o medo! Eis uma consequência bem clara decorrente do trauma do pecado. Hoje o ser humano tem medo de Deus! A segunda e terceira perguntas feitas pelo Senhor a Adão apontam para a violação de sua vontade: Quem te fez saber que estavas nú? Comeste da árvore que te ordenei que não comesses? A resposta de Adão resulta na transferência da culpa. Adão acusa Eva, e em última análise, acusa o próprio Deus que a criara. Este tipo de atitude nós também praticamos nos tempos atuais.
No entanto, apesar disso, Deus preservou a união conosco e o fez fundamento numa promessa e demonstração de amor: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.” (Gn 3.15,21) Deus não abandonou seus filhos ao relento! Ele proclamou sim sua sentença, mas os trouxe para si fazendo  a promessa messiânica! Sim, temos aqui o que podemos chamar de “protoevangelho”! Apesar de ser uma sentença passada a satanás, e não uma promessa direta ao ser humano, Deus aponta para o envio do Salvador Jesus! A descendência da mulher, é o próprio Cristo!
Assim, Deus, apesar de seu desapontamento, vai ao encontro de seus filhos. Este ato ganha contornos mais ilustrativos, quando Moisés narra que o Senhor fez roupas para Adão e Eva, e Ele mesmo os vestiu! Não há como não lembrar aqui o ato de humildade do Salvador Jesus, quando, na véspera de sua morte curva-se e lava os pés de seus discípulos! Eis aqui uma demonstração de amor tremenda da parte de um Deus que mesmo diante do desprezo de seus filhos, busca união com eles, busca abraça-los e tê-los consigo! Neste tempo quaresmal, vivamos com Ele em união!
Com carinho, pastor Valdir.

QUARESMA: A QUIETUDE NO ARREPENDIMENTO!

Queridos irmãos e irmãs. O que significa a palavra “quietude”?
Segundo o dicionário, “quietude” é a qualidade, estado ou condição de estar quieto. Também é explicada como tranquilidade de espírito; paz, sossego. Tanto a primeira, como a segunda explicação compõem o cenário quaresmal, mais especificamente nas palavras do profeta Joel. O profeta faz uma exortação ao arrependimento, tendo a quietude como “pano-de-fundo”: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes...” (Joel 2.13a) Porque Joel está falando de não rasgar vestes? Ora, rasgar as roupas era um sinal arrependimento e tristeza. Lemos em Gênesis 37.29 que quando Rúben, irmão de José, voltou ao poço para salvá-lo da ira de seus irmãos e viu que ele não estava mais lá, rasgou as suas roupas em sinal de tristeza e arrependimento. No entanto, com o passar do tempo, muitos rasgavam suas vestes na tentativa de demonstrar um mero arrependimento exterior. Joel sabia desta falsidade, e alertara para a verdade de que o arrependimento tem de vir de dentro para fora. Rasgar primeiro o coração, significa arrepender-se profundamente, com sinceridade. Neste sentido, o aspecto da quietude é importantíssimo. Estar quieto, mas verdadeiramente arrependido é mais salutar do que sair gritando aos quatro ventos! O arrependimento tem de ser profundamente sentido, não uma simples questão ritual! Joel, como todos os verdadeiros profetas, exige um coração arrependido no seu íntimo, não um coração que procura sustentar virtudes diante dos outros, seja para engrandecimento próprio ou na busca de méritos diante de Deus. Neste sentido, a quietude é altamente benéfica. Não há necessidade de se alardear o arrependimento, pois este acontece no íntimo do ser humano e é de conhecimento total e irrestrito de Deus! Joel ainda complementa a alegria do perdão a quem está verdadeiramente arrependido, reproduzindo a compaixão de Deus: “Então, o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, compadeceu-se do seu povo.” (Joel 2.18)
Que possamos viver este tempo de quaresma contemplando também o aspecto da quietude em oração, conduzidos em verdadeiro arrependimento, sendo assim alvos constantes da compaixão de nosso Deus!

Com carinho, pastor Valdir.