"Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. I Co 15.57"

VIVENDO NO FIO DA NAVALHA!

Quantas vezes você, querido irmão, querida irmã já ouviu esta frase? Geralmente ela aparece quando se vive situações limítrofes, onde alguma consequência ou perigo são iminentes se algo não sair conforme planejado. Nos esportes, quando um atleta se empenha ao máximo, é dito que ele realizou a prova “no fio da navalha” pois qualquer erro poderia colocar tudo a perder...
Esta frase também pode ser aplicada a situação pecaminosa vivida pelo ser humano. Vivendo afastado de Deus, sua situação é vivida no limite, no fio da navalha, como declara Salomão no livro de Provérbios ao reproduzir as palavras do Senhor: “Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte.” (Pv 8.36) Violentar a própria alma, sem dúvida alguma está intimamente ligado ao fato de que o ser humano, por ter naturalmente a lei de Deus escrita em seu coração, sente pesar e tristeza quando erra. Porém, sem o perdão deste Deus, este ser humano até se sente contrito, mas não chega ao arrependimento. Ainda, segundo o próprio Deus, os que amam a morte podem ser definidos como aqueles que o aborrecem, ou, em outras palavras, aqueles que mesmo tento tido contado com a vontade do Senhor, não observam a sua lei e ignoram os seus mandamentos vivendo assim “no fio da navalha”, pois podem, a qualquer momento, partirem desta vida sem ter a oportunidade de perdão e salvação.
Este é o tom da conversa de Jesus com seus discípulos: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 10.32-33) É muito tênue a linha que separa o ser humano da salvação ou da condenação. Esta linha tem um único nome: Jesus Cristo! É somente através de Cristo que conseguimos viver esta vida “no fio da navalha”. Afinal de contas, vivemos na tensão entre o “já” (pois já estamos salvos em Cristo Jesus) e o “ainda não” (ainda não recebemos esta salvação definitivamente).
Sendo assim, vivamos nossa vida encorajados através da fé em Cristo principalmente confessando-o como nosso único e suficiente Salvador. Pois Ele, não falhou ao vir nos resgatar. Se nós falhamos, podemos lembrar dele, que nos deu perdão e vida nova. Uma vida terrena, que é vivida “no fio da navalha” em termos humanos, mas que pela fé nele, é vivida na certeza da vida que não acaba, a vida eterna.

Com carinho, Pastor Valdir.

Testemunhando da Verdade!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Estamos lembrando neste final de semana duas datas muito importantes: sábado, 24/06 113 anos de nossa Igreja Evangélica Luterana do Brasil e domingo, 25/06 os 487 anos da Confissão de Augsburgo, a confissão de fé que os reformadores apresentaram diante do imperador a fim de respaldar a fé cristã luterana. O que estas datas tem em comum?
Comecemos pela Confissão de Augsburgo. No dia 21 de janeiro de 1530 o imperador Carlos V convocou uma dieta imperial a ser reunida no mês de abril em Augsburgo, Alemanha. Ele desejava ter uma frente unida nas suas operações militares contra os turcos, e isso parecia exigir um fim na desunião religiosa que existia, por causa da Reforma. Assim, convidou os príncipes e representantes das cidades livres do Império para discutir as diferenças religiosas na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Então, os teólogos de Wittenberg, ou seja, os reformadores, apresentaram uma declaração luterana conjunta diante do Imperador. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a confissão imediatamente adquiriu importância peculiar como uma declaração pública de fé que permanece tendo sua importância até os dias atuais. Mas o que este tema tem a ver com os 113 anos de nossa Ielb?
Além de ser um dos documentos que confessam o que é a nossa fé, podemos também olhar para a origem de nossa Igreja. De certa maneira ela deu seus primeiros passos a partir de uma confissão de fé. O pastor Christian Broders ao ser “sabatinado” pelo senhor August Gowert, leigo consagrado, confessou não somente o conteúdo da doutrina luterana, mas deu um testemunho público da fé genuína e pura do evangelho. A partir dali, em confiança e fé, nossa igreja deu seus primeiros passos ao serem fundadas as primeiras congregações.
O texto do evangelho deste final de semana, nos mostra palavras de Jesus que também apontam para a importância de se testemunhar publicamente a fé cristã: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus;” (Mt 10.32) Jesus não somente desafia os cristãos a testemunharem sua fé, mas também enfatiza a íntima relação existente entre a fé vivida aqui, e a salvação a ser recebida nos céus.
Os primeiros reformadores certamente tinham em mente as palavras de Jesus, assim como o pastor Christian e os luteranos que aqui residiam e passaram a constituir nossa Ielb. Que Deus nos conduza para sempre darmos testemunho da verdade em todos os aspectos de nosso viver. Amém.
Com carinho, Pastor Valdir.


Respondamos o mal com o bem!

Queridos irmãos e irmãs, a última semana trouxe consigo uma grande polêmica. Não estamos falando do cenário político, pois este já está sortido de surpresas a cada dia. Estamos falando do fato acontecido em um estúdio de tatuagem na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo. Um vídeo compartilhado nas redes sociais desde sexta-feira, dia 9 de junho, mostra um jovem, acusado pelos autores da gravação de roubo, sendo tatuado na testa com a frase “eu sou ladrão e vacilão”. O vídeo mostra o jovem sendo obrigado a responder que quer a frase tatuada na testa, enquanto o autor do vídeo comenta, rindo, dizendo que "vai doer". Em um segundo registro, a dupla faz o menino contar que tentou roubar a bicicleta de um homem que não tinha uma das pernas. Aos risos, os homens fazem o jovem mostrar sua tatuagem e perguntam se ele gostou. Muitas pessoas se manifestaram, algumas apoiando o gesto, dizendo que a justiça foi feita, e que deveria ter sido muito pior pois ele tentou roubar um deficiente. Outros alegam que isso é um abuso, crime de tortura por ser uma agressão. Mas, do ponto de vista cristão, o que a palavra de Deus nos diz?
Sem dúvida alguma, devemos lembrar, por exemplo, do episódio narrado pelo evangelista Mateus, quando Jesus é preso: “E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha. Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. ” (Mt 26.51-52) A recomendação de Jesus é bem clara: nunca respondamos o mal com o mal. Aliás, quantas vezes somos tentados a pensar que estamos fazendo o bem ao praticarmos o mal? O profeta Isaías com propriedade enfatiza: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz escuridade; põem amargo por doce e o doce, por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito! ” (Is 5.20-21) As palavras do profeta apontam para a necessidade de averiguarmos nossos corações à luz da vontade divina, até mesmo porque Paulo enfatiza em Romanos, que este Deus “...retribuirá a cada um segundo o seu procedimento. ” (Rm 2.6).
Portanto, em resumo, diante de tantas advertências o conselho que Deus nos dá quando somos alvo do mal ou somos tentados a agir através do mal resume-se nas palavras de Paulo: “Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos.” (1Ts 5.15) 

Com carinho, Pastor Valdir.

A Santíssima Trindade e 75 Anos de Bênçãos!

Queridos irmãos e irmãs.
Estamos em festa! Especialmente por dois motivos: o domingo da Santíssima Trindade e os 75 anos de nossa Congregação Cristo Redentor.
Na Santíssima Trindade, lembramos a obra completa que Deus executou a favor da humanidade motivado única e exclusivamente por seu amor. O ato de criação, lembra-nos que Deus Pai em sua perfeição não se conteve em somente criar o universo e todos os que nele vivem, inclusive nós, mas também mantém toda esta obra em seu devido lugar, como ilustra Moisés em Gênesis 8.22: “Enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.”. O ato de redenção, mostra o amor incondicional que Deus Filho manifestou por nós ao assumir nossa culpa, nos provendo reconciliação e salvação como bem ilustra o evangelista João em João 3.16: “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”. O ato de santificação, demonstra como Deus Espírito Santo ocupa-se conosco, esquentando nossos corações com a fé salvadora e motivando-nos a viver esta vida em fé e esperança na certeza da salvação eterna como bem ilustra o apóstolo Paulo em 1Coríntios 6.11: “Vós vos lavastes, vós fostes santificados, vós fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.”
Por outro lado, estamos neste final de semana lembrando 75 anos de aniversário de nossa Congregação Cristo Redentor. 75 anos onde esta comunidade cristã obedeceu a ordem de Jesus Cristo de ir, batizar e ensinar! Em suas andanças, seja nas casas de membros, no antigo templo da Rua Padre Cacique ou na atual morada na Rua Martinho Lutero, esta congregação realizou muitos batismos e ensinou a palavra conforme a recomendação do Senhor Jesus.
Então, qual a relação do domingo da Santíssima Trindade e o aniversário da Cristo Redentor? Jesus responde com sua própria ordem: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28.19). É nesta Santíssima Trindade que nós, Cristo Redentor, desenvolve suas ações, “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos...” (At 17.28)
Obrigado Triúno Deus por tua obra de criação, redenção e santificação, gratos somos por nos permitir ir, batizar e ensinar tuas maravilhas. Parabéns Cristo Redentor por ser instrumento nas mãos deste Deus Triúno. Que possamos juntos seguir em frente “apontando para Cristo”!

Com carinho, Pastor Valdir.

Pentecostes: consolo e proclamação!

O Pentecostes envolvendo os discípulos, que anunciaram o evangelho em diferentes línguas, foi o “estopim” para a evangelização cristã a nível mundial. Desde então, a igreja de Cristo no mundo procura com avidez anunciar a salvação pela fé nele. Porém, como acontece este processo de anúncio e recepção da palavra de Deus? Jesus Cristo aborda esta questão em João 14.26: “...mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” Lutero nos ajuda a compreender um pouco esta dinâmica ao interpretar estas palavras de Jesus:

Prestem atenção neste texto, como Cristo liga o Espírito Santo com sua palavra e lhe fixa um limite e medida, de maneira que o Espírito não pode ir além do que sua palavra lhe permite. Ele os fará lembrar de tudo o que eu lhes tenho dito, e ensinará a vocês. Com isto, Cristo mostra que no futuro somente se deve ensinar aquilo que os apóstolos tinham ouvido diretamente dele, mas que, porém, não tinham ainda entendido até que o Espírito Santo lhes revelasse. Desta maneira, o ensino sempre procede da boca de Cristo e se transmite de boca em boca, porém, é sempre a mesma palavra. O Espírito, sozinho, é o professor que ensina estas coisas e as traz à memória. Aqui também se mostra que a palavra antecede ao Espírito, isto é, que a Palavra se deve pregar primeiro e logo virá o Espírito colocando luz sobre ela e passará a agir por ela. Não podemos tergiversar esta ordem e sonhar com a obra do Espírito sem a palavra ou antes da palavra. O Espírito vem com e pela palavra e não vai além do que ela estabelece. O exemplo dos apóstolos mostra também como Cristo governa sua igreja. O Espírito não passou a viver neles tão rápido logo que ouviram a Palavra, nem veio a eles com tanto poder que entendessem logo tudo perfeitamente. Nós escutamos a palavra de Deus, que na realidade, é a pregação do Espírito Santo que sempre está presente junto com ela, porém, nem sempre chega ao coração ou é aceita em fé; mesmo naqueles que são movidos pelo Espírito Santo, que recebem contentes a Palavra, nem sempre produzirá imediatamente os seus frutos. É necessário que chegue a este ponto: diante da necessidade e do perigo buscamos ajuda e consolo; então, o Espírito Santo pode cumprir seu oficio de ensinar o coração e trazer à memória a palavra ouvida.” (Devotional Readings from Luther’s Works-Augsburg Book Concern, 1915.)

No Pentecostes lembramos daquele que não somente nos acompanha após a partida de Cristo, mas que anuncia sua obra e a proclama através de nós a todas as nações tocando o coração de muitos a seu tempo e a seu modo.

Abençoado tempo de Pentecostes. Com carinho, Pastor Valdir.