"Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. I Co 15.57"

QUEM PODE SER SALVO?


Jesus tinha tido uma conversa profunda com um jovem que se dispôs a segui-lo. O jovem havia dito a Jesus que observava os mandamentos divinos desde a juventude e que estava pronto para segui-lo. Então Jesus lhe recomendou vender o que tinha e dar aos pobres e então segui-lo. O rapaz então se retirou triste, porque era dono de muitas propriedades. (Mc 10.22b) Esta atitude motiva Jesus a declarar: “Como é difícil os ricos entrarem no Reino de Deus!” (Mc 10.23) Os discípulos então entraram em pânico. Entre si começam a perguntar-se: “Quem pode ser salvo?” (Mc 10.26)
A pergunta feita pelos discípulos já traz com ela a resposta:
O “ser salvo” está colocado num modo passivo, ou seja, depende de alguém. Especificamente, em termos de salvação, só pode ser salvo aquele que se deixa salvar! Nada podemos fazer, ou realizar, para que sejamos salvos! A grande pergunta que deva ser feita talvez seja a seguinte: o ser humano quer ser salvo? Será que mesmo nós, muitas vezes, não acabamos caindo na tentação de pensarmos que podemos sim, contribuir um pouco com a nossa salvação? O fato de irmos a igreja, de praticarmos boas obras, de fazermos o bem, será que não tem sido visto como uma busca incessante da salvação através dos próprios esforços? Tudo aquilo que se coloca entre nós e Deus seja um bem, ou até mesmo um ativismo desenfreado, pode se transformar num duro obstáculo para que se seja salvo! É importante que lembremos esta verdade, até mesmo pela proximidade com o 31 de outubro, onde lembramos 498 anos da Reforma Luterana.
Que bom que a obra da salvação já foi concluída!
Que bom que não dependemos de nossos esforços para merecê-la ou recebê-la.
Um coração que não se apoia em si mesmo, certamente verá a mão do Senhor estendida em sua direção.
Um coração que observa a vontade de seu Deus, certamente terá uma vida bem-aventurada e que resultará na sua salvação, por amor deste mesmo Deus.
Através de seu Filho Jesus Cristo, Deus providenciou não só o caminho, mas a salvação plena e verdadeira de seus filhos, na medida em que se entregam por inteiro a Ele em todos os sentidos.

Portanto, que o Senhor nos conserve, para que todos, estejamos juntos um dia, na vida eterna com Ele. Amém.

CRISTIANISMO E ESTADO LAICO



Este foi o tema do XIV Fórum Ulbra de Teologia, do qual pudemos participar na segunda semana de outubro. O evento, promovido pelo Curso de Teologia da Ulbra (Canoas), desenvolveu esta temática lembrando especialmente o relacionamento entre a igreja e o estado (governo). Sem dúvida alguma este é um tema polêmico, pois atualmente vivemos um momento onde há uma briga intensa dentro desta temática. Esta briga aos poucos ameaça o bem comum, ou melhor, a sociedade como um todo. Dentro desta discussão algumas afirmações chamaram a atenção:
- O Estado Laico não é antirreligioso. Ele é um estado neutro de religiosidade, onde interferência não pode ser confundida com influência. A influência é permitida, pois está dentro dos limites da liberdade de um estado de direito. Neste sentido, é importante lembrar que o princípio de um estado laico opera em duas direções no que diz respeito ao seu relacionamento com a igreja: a igreja é protegida do estado, e o estado está livre da interferência da igreja.
- Ao longo da história, igreja e estado se confundiram nos seus papéis. Na época de Lutero, havia uma confusão muito grande entre os dois regimentos (igreja e estado). Esta confusão estendeu-se também em nosso país desde o período colonial. Na atualidade esta questão aflorou de tal maneira que vemos hoje intensos embates diante de questões polêmicas, resultando até mesmo na intolerância praticada de ambos os lados. É bom lembrar que “intolerância” é a comprovação da crise de identidade que se firma na própria intolerância, resultando, portanto em grandes absurdos.
Diante de tais afirmações, uma palavra de Lutero foi destacada: “A fé não tolera nada, mas o amor tolera tudo!” Ao lembrarmos esta frase, lembramos que tolerância não é relativismo, mas o reconhecimento do direito do outro de defender sua verdade.
Diante disso, o que nos cabe como cristãos luteranos?
- Viver com confiança no meio da desconfiança!
- Perseverarmos como cidadãos em nossos direitos e deveres!
- Sermos cidadãos cristãos, servindo a Deus, tanto na igreja, como na sociedade.
Estes desafios somente podem ser cumpridos, na medida em que lembramos daquele que nos amou primeiro, Jesus Cristo. Nele lembramos o que Deus fez por nós, e o que espera de nós! Pois Ele veio ao mundo, para que tivéssemos vida em abundância (Jo 10.10)
Que Deus nos abençoe, para que vivamos nossa cidadania com os olhos em Cristo Jesus, preservando o cristianismo dentro de um estado laico como é o Brasil.
                                                              Com carinho, Pastor Valdir.

TENDE SAL EM VÓS MESMOS, E PAZ UNS COM OS OUTROS!



O sal, sem dúvida alguma é um dos elementos mais importantes para a vida na terra. Embora hoje, um quilo de sal seja muito barato, ele não perde sua importância. Aliás, em tempos antigos ele tinha um valor altíssimo, até mesmo como moeda de troca. Ele era valioso porque servia para a conservação de carnes e peixes, por exemplo, além de ser usado como condimento realçando o sabor dos alimentos, e até mesmo para uso medicinal, usado por exemplo contra dor de dente.
No texto do evangelho de hoje, Jesus usa a figura do sal. E Ele a utiliza, para lembrar da necessidade de se ter o sal em si mesmo. Não está falando aqui de consumir quilos e quilos de sal. Mas está usando o sal num sentido figurado. Ele diz: “Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros” (Mc 9.50)
Este versículo bíblico na língua grega, estabelece uma conexão muito importante entre o sal e a paz no coração.
εχετε εν εαυτοις αλας και ειρηνευετε εν αλληλοις
O artigo “e”, presente neste versículo, vem da partícula grega ‘και‘ que também pode ser traduzida por “então”. Poderíamos traduzir o versículo como: “Tende sal em vós mesmos, portanto, paz uns com os outros.” O que está por trás disso?
Ora, ter sal em si mesmo, significa ter sabedoria. Somente tendo sabedoria, se pode ter paz com os outros. Se eu não tenho a sabedoria que vem do alto, através da palavra de Deus e dos sacramentos, ou seja, o sal, em mim mesmo, eu não consigo viver em paz com os demais, e estou correndo sério risco de perder a salvação.
Que bom que Deus sabia desta nossa dificuldade e enviou Jesus. Através dele, Deus nos entregou o sal verdadeiro, que não nos torna insípidos (sem gosto), mas nos faz viver fazendo a diferença num mundo pecador, de acordo com sua palavra. Portanto, não percamos tempo com coisas secundárias, mas nos apeguemos ao fundamento de nossa fé, Jesus. Nele, somos “salgados” para dar sabor ao mundo. Amém.
                                                  Com carinho, Pastor Valdir.