"Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. I Co 15.57"

DEUS CUIDA DE NÓS!




Na última quinta-feira, vivemos o dia nacional de ação de graças. Dia este, que procura privilegiar a gratidão a Deus pelo cuidado demonstrado com seus filhos no ano que findou. Sem dúvida alguma, este cuidado de Deus com os seus, também foi objeto de gratidão de um dos dez leprosos (Lucas 17.11-19), que após ser curado por Jesus, retornou para agradecer-lhe, conforme o relato de Lucas: “Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz,...” (Lc 17.15) Sem dúvida  alguma a atitude daquele homem em reconhecer que Jesus lhe curara era digna de nota. Os outros nove homens, retiraram-se, pois viam os rituais religiosos como mais importantes do que a gratidão a quem lhes fizera bem. Foram correndo mostrarem-se aos sacerdotes, pois segundo a lei judaica era necessário que sua cura fosse comprovada. Em Levítico 14.2-3 nos é dito: “Esta será a lei do leproso no dia da sua purificação: será levado ao sacerdote; este sairá fora do arraial e o examinará. “ Jesus sabia destas ordens, pois sabia como ninguém a lei de Deus. No entanto, apesar das leis cerimoniais e sociais, estava em jogo aqui a ação de Deus e o reconhecimento daquela ação. O leproso, antes de cumprir a lei, reconhecera a soberania de Deus, reconhecera suas bênçãos. Em mais um ano que finda, somos convidados a lembrar que antes de cumprir a lei, importa ter uma atitude de reconhecimento de tudo aquilo que o Senhor nos concede! O mais interessante desta história, foi que somente um homem, estrangeiro, samaritano ainda por cima, foi que retornou para agradecer a Jesus. Vemos nesta atitude, que o cuidado de Deus ultrapassa fronteiras. O cuidado de Deus atinge os mais longínquos cantos do mundo. Não sabemos a origem dos outros leprosos, pois a Escritura não fala. Tudo indica que seriam judeus, pois preocuparam-se com os rituais judaicos. Porém, somente um retornou para agradecer a Jesus, e era um estrangeiro. A promessa divina abrange toda a humanidade.
Conta-se a história de um trem de passageiros que, certa noite, fazia sua rota regular a caminho de Londres. Chovera torrencialmente durante todo o dia. Com o cair da noite, intenso nevoeiro descera sobre a estrada de ferro. De repente, o maquinista avistou uma pessoa com os braços abertos em desespero. Ele freou o trem, que rangeu sobre os trilhos e parou. O condutor saiu para investigar o que havia e descobriu que, pouco adiante, uma ponte havia ruído ao peso das águas agitadas de um rio. Procuraram, pois, a pessoa que salvara a vida de tantos passageiros, mas não encontraram ninguém. Foi então que o maquinista, examinando os faróis da máquina, deparou com uma cena estranha. Uma grande mariposa de asas abertas estava morta e colada ao farol. Foi o reflexo da sua agonia que lhe serviu de aviso.
Este incidente da mariposa pode ser comparado ao amor de Cristo pela humanidade. O reflexo do corpo de Cristo, de braços abertos sobre a cruz do Calvário, tem salvo a vida de milhares de almas, através dos séculos.
Seria por mero acaso que a mariposa surgira exatamente naquele momento?
Quantas e quantas vezes em nossas vidas Deus manifesta o seu cuidado paternal e amoroso e o ser humano o trata como mera obra do acaso? Temos tido tempo de reconhecer e agradecer o cuidado que tem tido com cada um de nós?
Que bom que Deus nos concede a oportunidade de agradecer o seu cuidado, e também nos leva a assumir mais e mais o privilégio de falar deste cuidado a outros, cuidado este mostrado em toda a sua grandeza na entrega de seu Filho Jesus Cristo na cruz. Que possamos viver mais um Advento que se inicia nesta certeza. Amém.
Com carinho, Pastor Valdir.

RECONSAGRAÇÃO


Após um mês de estudos de mordomia cristã estamos vivenciando nossos cultos de reconsagração. Mas o que significa, de fato, a palavra reconsagração?  A palavra reconsagração significa consagrar de novo algo que já havia sido consagrado em certa ocasião. Para compreender melhor esta palavra, voltemos ao texto bíblico.
 Na segunda carta de Paulo aos coríntios o apóstolo escreve: “Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.” (2 Co 2.4). Este amor que consagrara os coríntios, do qual fala o apóstolo Paulo fala, é o amor “ágape”, ou seja, o amor incondicional de Deus.
Os coríntios já tinham conhecido este amor divino quando passaram a crer em Jesus Cristo, porém, era necessário que esta fé fosse constantemente renovada e fortalecida. Neste sentido, a palavra “reconsagração” ganhou força naquele contexto, pois Paulo sabia que era necessário também que diariamente os coríntios buscassem fortalecimento e renovação da fé através do arrependimento constante. Da mesma forma deve ocorrer em nossa vida diária. Não basta somente conhecer e crer em Jesus, é primordial a manutenção desta fé. Consequentemente a palavra reconsagração ganha um sentido todo especial quando nos damos conta da necessidade de viver uma vida em fé, uma fé que precisa ser mantida ao sermos reconsagrados constantemente pela fé em Cristo Jesus afim de não esmorecermos, nem desistirmos desta fé que salva.
Neste sentido, que possamos todos nós, nos cultos deste fim de semana, sermos reconsagrados por Deus, como foram os coríntios, e assumamos mais e mais os desafios que Ele coloca diante de nós, tanto na vida individual e familiar, como na vida congregacional. Pois, ao permitirmos que Ele nos guie, estaremos sendo também participantes ativos de seu Reino neste mundo, que tem por objetivo final a salvação de almas.
Assim, que possamos firmar nosso compromisso com Deus especialmente para 2016, afim de que, com vida, dons e bens, o sirvamos cada vez mais com alegria!
Com carinho, Pastor Valdir.




A MORDOMIA QUE AGRADA A DEUS!
Queridos irmãos e irmãs. Novembro é o mês onde sempre fazemos um destaque todo especial a respeito da mordomia cristã. Porém, para compreendermos este assunto, devemos lembrar mais uma vez o que é mordomia. Nas novelas ou filmes, por exemplo, vemos a figura do mordomo, que administra a casa do patrão. Pois, biblicamente falando, mordomia é o ato de administrarmos tudo aquilo que pertence a Deus. A grande pergunta é: como administrar, ou seja, como ser um (a) mordomo que administra conforme a vontade de Deus? Pois, a mordomia que agrada a Deus é aquela que:
1)       Acontece a partir do que Deus fez!
Na obra da criação= O Deus que fez os céus e a terra, nos dá sua matéria-prima, para que possamos administrar aquilo tudo que lhe pertence. Tudo que nos rodeia, tudo o que somos e temos vem dele! Na obra da Redenção= lembramos da obra redentora do Salvador Jesus na cruz do Gólgota (Jo 3.16) onde Deus resgatou o ser humano perdido e condenado, da morte e do poder do diabo. Na obra da santificação= Através do Consolador, o Espírito Santo, Deus guarda a cada um de seus filhos, orientando-os na caminhada terrena. Temos reconhecido esta orientação de Deus ao longo da vida? Ou será que estamos tão influenciados pelo modo humano de ver as coisas, que temos tomado nossas próprias decisões, a revelia do que o Senhor nos orienta em sua palavra?
2)       Não busca resultados!
É aquela mordomia da entrega, onde ao ser desafiado como mordomo, não me importo se esta ou aquela atitude trarão recompensas, ou trarão benefícios e interesses. Este servir é o que agrada a Deus! A tentação em obter resultados, a carência até mesmo afetiva tem feito com que muitos sirvam com segundos interesses, ou até deixem de servir porque não tiveram seus anseios atendidos. Estas atitudes, passam longe do que agrada ao Senhor!
3)       É aquela que é vivida de coração
O texto de Mc 12 41-44 nos conta a história da viúva pobre, que deu tudo o que possuía.
O texto de Mc 12.41-44, nos conta a história da viúva pobre. Ela dera a sua oferta não preocupando-se com o que os outros iriam dizer, ou pensando em ser vista ao fazê-lo. Ela fizera sem buscar manchetes ou notícias! Em resumo, a oferta daquela viúva fora diferente, pois fora dada de forma consagrada! Com consciência ela separara tudo o que tinha e dera de coração.
Como temos agido com nossa mordomia como um todo? Ao servirmos a Deus, ofertando o nosso trabalho, um tempo de nossa vida para servir, seja na congregação ou fora dela. Como temos lidado com esta questão? Ou será que algumas vezes, por causa do nosso descontentamento com alguma coisa, temos deixado de ofertar tempo, dons, bens? Deus não concorda com essa ideia, Deus não a apoia. Na medida em que agimos assim, estamos vivendo de forma equivocada a nossa mordomia. Somos desafiados a ofertarmos livremente do melhor que pudermos, como decidimos no coração, mas sempre tendo em vista aquilo que agrada a Deus!
Em resumo, a mordomia que agrada a Deus é aquela que parte dele, quando nos dá todas as coisas de graça, que é vivida nele, por causa de tudo o que fez e segue fazendo por nós, e que volta para Ele, pois dele somos, e para Ele voltaremos.
Por causa disso, nada mais resta a dizer, do que, muito obrigado ao Senhor, por sua misericórdia infinita. Seu amor nos supre e faz com que vivamos nossa vida na segurança de que como administradores, seremos conduzidos nesta tarefa tão nobre. Amém.

LUTERO, APAIXONADO PELA VERDADE!

Acima, a Rosa de Lutero estilizada com flores, obra de servas de nossa Congregação!


Queridos amigos, estamos ainda vivendo os ares da Reforma Luterana. Após os eventos do último final de semana, quando celebramos 498 anos do retorno do cristianismo à Escritura Sagrada que havia sido esquecida por causa de leis humanas impostas pela igreja de então, não tivemos como não lembrar da pessoa de Martinho Lutero. O reformador viveu tempos muito difíceis. O medo do inferno e o medo do juízo de Deus, o levaram a tornar-se um monge, na busca de agradar ao Senhor. Renunciara a uma vida confortável e promissora, do ponto de vista econômico, para adotar um regime austero de vida. Em meio aos conflitos, seu tutor, Johann Von Staupitz o envia a Roma, onde Lutero pôde observar a falta de coerência que havia entre o que a Escritura Sagrada ensinava e o que se vivia na prática. Após isto, foi escolhido para fazer um doutorado em teologia, onde então, acumulou conhecimento e força para enfrentar o cenário religioso completamente errado que existia. No entanto, sua força motriz não era o conhecimento, ou a experiência. Na verdade, Lutero era apaixonado pela verdade! A verdade conhecida na Escritura Sagrada como o próprio Salvador Jesus enfatizara: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;” (Jo 8.31b) Lutero permaneceu cativo a palavra de Deus, e a consequência, foi somente uma: o conhecimento da verdade! Disso, o Salvador Jesus também fala:  “...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.32) Esta é a consequência imediata do discípulo de Jesus que se aprofunda na Escritura Sagrada. Ao conhecer a verdade, permanecer nela, o cristão é liberto do medo da caminhada terrena (pois não anda mais sozinho, e sim lado a lado com Jesus), liberto do próprio “eu” (pois por causa da natureza humana, estamos inclinados para o mal), e liberto dos outros (pois a vida de muitas pessoas está dominada pelo que dizem, e pelo que podem pensar outras pessoas). Lutero viveu esta liberdade, e incentiva a que nós também a vivamos. Neste sentido, apaixonado pela verdade, Lutero deixou-nos o seu incentivo:
“Por isso, avante queridos cristãos, e deixem que minha interpretação, bem como a de todos os mestres, sejam apenas andaime para a boa construção, a fim de apreender a verdadeira e pura palavra de Deus, prová-la e permanecer com ela.”[i] Que possamos como Lutero, também sermos apaixonados pela verdade, a verdade que liberta, a verdade que é o próprio Jesus Cristo. Amém.
Com carinho, Pastor Valdir.



[i] O pensamento de Lutero, Gerhard Ebeling, p.35


A VERDADE QUE LIBERTA
Medo da morte. Quem não tem medo, ou já não sentiu medo da morte? Martinho Lutero tinha este medo consigo. Este medo o consumia, e procurava fazer de tudo para agradar a Deus. Sua preocupação estava voltada tão somente para sua salvação. Por isso, o texto do Salmo 46, tornou-se um dos textos preferidos de Lutero, porque mostrava a Deus como um refúgio e fortaleza nos tempos de aflição. Lutero passou a compreender melhor a morte, a partir do momento em que se deu conta de que ninguém chega aos céus por seus próprios esforços. É necessário que Deus nos leve para a vida eterna. Sobre isso, Jesus é bem claro no texto de João: “”Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (Jo 8.36)
A grande questão é: como manter-se firme no caminho que Deus preparou para a vida eterna?
Acredito que o Salmo 46 tem belas respostas a respeito.
Somente pode herdar a vida eterna, aquele que declara: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto não temeremos...” (Sl 46.1-2a)
Somente quem tem o Senhor como o seu refúgio, pode passar pela vida terrena, recebendo a graça do batismo, seguindo assim rumo a seus braços. O grande desafio é realmente manter-se na fé verdadeira. Lutero diz uma palavra muito interessante sobre este “permanecer em fé” ao longo da vida:
A pessoa que crê em Cristo é justa e santa por atribuição divina. Já se acha e já está no céu, envolta pelo céu da misericórdia. Mas, enquanto descansamos aqui no colo do Pai, vestidos com a mais linda roupa, nossos pés, embaixo, saem do manto e Satanás os morde como pode. Então a criança se debate, grita e sente que ainda tem carne e sangue e que o diabo ainda está aí, fustigando até que a pessoa inteira se torne santa e seja arrancada desse mundo vão e mau. De maneira que somos santos e filhos (de Deus), mas no espírito, não na carne, moramos à sombra das asas, a saber de nossa choca, no seio da graça. Mas os pés ainda tem que ser lavados, e por não estarem limpos, tem que ser mordidos e atormentados pelo diabo até que se tornem limpos. Pois terás que puxar o pezinho para debaixo do manto, senão não terás paz. (Ebeling, Gerhard. O pensamento de Lutero, p. 128)
Neste sentido, temos diante de nós o desafio de permanecermos na fé, diante das adversidades da vida.
As palavras de Lutero nos direcionam sem dúvida alguma, àquilo que Jesus declara em João 8.31-31: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
Que possamos nestes 498 anos de Reforma Luterana não lembrando somente da pessoa de Lutero, ou do medo da morte, e sim, da verdade que liberta: Jesus Cristo. Assim, vivermos nossas vidas sendo levados aos braços de Deus, no dia em que Ele assim nos chamar, para a vida eterna. Amém.